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Archive for dezembro \07\UTC 2011

Este poema era meu. Agora não é mais. n. 27

Eu sou o acrobata da vida que você deixou para trás e o problema é que você nunca me vê. Finge que fez tudo certo e enterra todos os ‘ses’, enquanto permaneço aqui a me contorcer com as mãos no vidro para chamar sua atenção. Eu sussurrei vários versos nos seus ouvidos para tentar lhe soltar das amarras do cinto que lhe livrava de todo o mal, toda sorte ruim, acaso e quebranto. Eu lhe avisei que as freadas bruscas faziam parte, e que estava tudo bem em correr o risco. Nos minutos finais do grande espetáculo, você foi embora com seu vagar de rosto triste, mas já era tarde para chegar a outro lugar. Era lá que deveria ir, mas agora já não há mais acendedores ou fósforos para a chama do inusitado. Então, frustrado, você explode tímido com a discreta naturalidade dos calmantes artificiais. Vai, abre os vidros na esperança de conseguir oxigenar o mundo que não vai voltar! E me corta os pés e o estofamento novo para que nunca mais me veja no banco de trás, nem na fila do caixa eletrônico. Codifica o passado em enigmas e senhas alfanuméricas para que ninguém desvende sua esfinge e caia no seu abismo. Repita comigo: abismo! O trem passou e você ficou.

                                                                                                                                                                                                                       Juliana Ribeiro.

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