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Archive for junho \29\UTC 2010

Este poema era meu. Agora não é mais. n.23

eu sou o poeta no banco de trás
e ninguém mais me vê. porei as mãos 
no vidro a se contorcer 
encantado com esse trinco que me livra.
livrai-nos de todo o mal
quebrante, freadas, etc., etc.
agora e na hora da nossa morte,
até você ir embora, beijando
com pesar meu rosto de gelo, de nada,
como se eu estivesse indo a algum lugar.
pra onde mesmo eu devia de ir?
estamos hoje sem velas, mas não 
tomaremos nenhum tipo de remédio, mas vi-
veremos com toda a naturalidade.
deixemos os vidros fechados
para ninguém perder seus tiros de pedra.
e cortem por favor de seda o raio do couro de todo um conforto.
eu sou um poeta no banco de trás
e ninguém mais me vê. e o meu ar
é quase o mesmo que o seu, estamos
juntos e separados. entre um e outro passo, uma
espera na fila dos últimos dias
seus enigmas, as lágrimas contadas
da esfinge eterna: um abismo.
um abismo: repita comigo: uma abismo. amém

                                                                         (joão ricardo terra)

 

 

 

joão ricardo terra lançou agorinha “do fogo menor” (7 Letras, 2010), que me enviou em estimada atenção, ao que lhe retribui enviando um exemplara do “manual de acrobacias n.1”. joão não resistiu e retomou a experiência das acrobacias que agora posto. nem tudo está encerrado.

 

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