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Archive for maio \21\UTC 2010

esta manhã. uma manhã. um impedimento. tudo em resumo é querer fazer as coisas enormes. nenhum agrimensor saberia, daqui para ali. este ponto que começa a ponto de você entrar em casa, saia balonada, salto, fita em laço no pescoço. não sei se dry martine ou se te pego para dançar. se coloco este verso aqui. aqui. você repete. você tem medo que eu vá. você me diz: sarah. mas pode chamar clora ou ella. estarei bonito, camisa de mangas e perfumado. meu cheiro de super-herói americano ou prova de resistência. homem de ferro que se corrói todo à luz dos teus bilhetes segredados, copiados com carbono. cópias que você guarda nos fichários de papelão, ordem alfabética de amores, um arquivo de aço e senha segredada. mas também possuo algo de guardar. e tudo o que tenho é este pedaço do teu amor que trago no bolso, vinte centavos e uma caneta bic. e uma remington 1959 que ganhei ao entrar no curso de engenharia. a engenharia perdida. ninguém sonha coisas claras, superfícies ou copos d´água. ninguém. e desta feita, ainda moro numa cidade pequena, bordada de ruas estreitas e um gosto duvidoso por camionetes. e ainda planejo estratagemas de como ocupar teu corpo e a mobília deste quarto, deste quarto de mundo, sofás marrons, papéis de parede com vista para o mar, o mar e seu deus mais fundo. no mês de abril você volta, eu sei que volta. e trará as compras, cada coisa em seu compartimento, sua dispensa, coisas guardadas, afetos, rancores e jóias penhoradas. mas tudo será nosso: uma medalha de nossa senhora da conceição, seis lotes de areia, um pingente, apólices vencidas, uma lata de patê de ganso que veio na cesta do último natal. aqui em san maarten o aeroporto margeia a praia da maho. esticado na areia, posso ver alguém que enrijece os olhos fechados e as mãos postas antes dos trens de pouso tocarem a pista. com o vento, retornarei ao pó. de onde vim.

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Antiguinhos 2

estavam ali entre a decisória

condição de abandono

ou a costura de vez

dos dois

corações, fatias de fígado cru

no penhasco

enquanto as forças do mal, do lado

mais negro, castelo lúgubre e

tempestade

avança sobre o vilarejo indefeso

temamos pelas criaturinhas

de nosso afeto, seus corpos

recobertos de piche e penas.

os dois corações suturados

vazando, vazando

e o nado soluçante, a purificação

o rumo incendiado

aconchego de tubarões.

as criaturinhas

de nosso afeto, fatias de corações.

o penhasco, o mar.

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