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Archive for outubro \31\UTC 2009

ready-made: ricardo corona

read made ricardo corona

 

 

 

Esta é a versão de Ricardo Corona (http://blogdocorona.blogspot.com) para o manual. Sua acrobacia quase silêncio, quase nenhum, um fim. Para escutar o som que não se pode ouvir, a palavra que não pode escrita. O sujeito que é pleno: ninguém.

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eu sou o acrobata do banco detrás, mesmo.

 

 

2.

 

de uma aula em outra língua: eu me quebrei a perna,

 

quando em classe com o cabelo em desalinho o gesto, a citação

 

seria a perna ou especificamente o joelho, a palavra acrobata

 

com desconfiança, uma outra: a generosidade, a carona.

 

o que resta de kant nesta sala quando experimente habitá-la sem cadeiras.

 

se deslizar é um método, isto muda a postura dos ossos, alguns.

 

da vértebra em sete graus, o que era um metro e sessenta e oito pode

 

deslocar a rótula no salto seguinte afixado com etiqueta:

 

não uma previsão à teimosia, talvez uma hipótese.

 

algo flexível que une o caderno das economias com três esboços de uma tartaruga;

 

ou um olhar absorto em fila: como irei retribuir aquele presente?

 

segundo dizem as línguas, uma confusão temporária na vida de estudante, 

 

mesmo invisível o mínimo deslocamento de três vértebras;

 

do salto no escuro com toda a violência da gentileza, agora vem a fina dor no peito,

 

de que amanhã estamos falando? trata-se do momento do salto,

 

o que chamam pulo do gato, página dois caderno das economias, despesas de ontem.

 

no entanto, a distração consiste em reproduzir as trinta e sete versões de desenhar

 

a fisionomia de uma tartaruga, são posições e manchas, como a frase-revanche

 

haveremos de dar um jeito – que tento imprimir em retribuição,

 

neste momento, longe de qualquer presente.

 

 

 

 

(Eduardo Jorge)

 

Esta é a versão de Eduardo Jorge, que é um talento em várias direções, que é muito sabido, e tudo o que toca vira algo bacana, e é um grande parceiro – cabe aqui registrar que a beleza do projeto gráfico e da foto que ilustra meu “vinte  e sete de janeiro”, é dele. Antes e tanto de qualquer coisa, Eduardo Jorge é um amigo muito querido e faz falta por aqui. Sua acrobacia é uma pedreira.

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eu sou o acrobata do banco da frente

numa diagonal à esquerda, com

você. eu sou o acrobata do banco de trás

e só você me vê. escuto coisas e

faço contorcionismo no porta-luvas

apinhado, ali não tem ventana, ventarola

quebra-vento, finestra, fenêtre, windows ou janela…

[cheiro de gasolina, que vem direto do motor, tem]

nem buraco de fechadura, nem retrovisor

e o pé que apóia [quando apóia] apóia no outro;

fedentina de chulé, sovaco azedo, cheiro de bunda

fio de suor que corre o corpo até o dedão

do pé e se junta ao suor do outro:

povo, será?

abismo, deserto, acontecimento

nem isto resta, e quem abre a portinhola

[do forno, da câmera de gases]

abre quando esqueceu alguma coisa ou pra

procurar o manual de funcionamento,

acho que continuo escutando coisas

e os versos, agora, repetem acidentes.

Demétrio Panarotto

 

Demétrio, Demétrio. Figura, querido, bacana, jóia rara. Demétrio agora é acrobata, também. E também dá aulas e tem uma banda, Repolho. Tem Renata e Lorenzo. Cozinha bem e acha graça. Mora longe e se garante. Demétrio é assim: misto de erudição e pop star.

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eu fui acrobata

casualmente

a porta contorcia-se depois de intacta…

e partia… pra não mais voltar.

no banco de trás

aguardava, comportada, a sinfonia de passados

fiquei até contente!

estavam lá nossos sentimentos…

mas fuscas amigos de sonatas, 

não são afeitos a restos de tempo

fui pouco

errei de movimento

me guardei naquele presente

lúcida como um amigo em fim de feira

livre!

fui quase fim.

os rastros não refizeram caminhos

minhas mãos, que pintaram aquela última primavera,

transitam agora entre nuvens…

é mais segura, a espera.

 

                                                                                       (Ana Paula Rabelo)

 

 

Aqui, a caixa de fósforos.

Nem mesmo rompemos o lacre e

é tão bonita a embalagem, então

esquecemos a fome ou

comemos alimentos leves e de fácil digestão.

Sou eu quem guia

esse veiculo que vimos construindo em

ritmo de quem acredita

em eternidade. E

você não vê, mas

eu observo

o que aparece e desaparece no

reflexo do espelho.

(Seus gestos)

Eu queria saber como e

acho que você me diria porque

acho que tem coração bom e tem

boa disposição.

Mas eu

veja bem

não tenho a pergunta

e isso me da medo.

Medo.

(O abismo)

Eu sinto muito.

O ar que respiramos é o mesmo mas

o gosto é diferente em nossas bocas.

O silencio serve e

acreditamos que sim,

chegaremos a algum lugar

um dia.

Isso se chama

F é

Eu digo

F (o d a s) e

Vou deixar as janelas fechadas ate perder o fôlego ate estar assim

embriagada da ausência do ar que eu não preciso.

Então tiro as mãos do volante.

Então salto.

 

 (Cinira Arruda)

 

 

 

Duas moças me escreveram. Ana Paula Rabelo, ou só Paulinha, para mim, de muito tempo e amizade longa, um carinho. Há uma doçura com pitadas de intensidade em sua acrobacia. A outra, Cinira Arruda, uma surpresa. Muito já ouvi sua escuta, suas perguntas e olhar curioso. Sempre que possível ela vem. Mas, agora, se arrisca e tira as mãos do volante.

 

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não me olha assim de estátua. não para de fazer tuas coisas, nada mais me acalma e olha que o fósforo está chegando ao fim e falta um nada. pra te queimar. onde você me procura? ainda aquele de que os olhos são espelhos? perdi o freio e esse carro segue sozinho como se quisesse chegar a algum lugar. onde não se deve rir.

só você me vê no banco de trás. cinto, sorte ruim e quebranto. me corta os pés e me cola no estofamento novo. me acorda na fila do caixa eletrônico. me lembra a senha. de novo.

e depois a voz maternal que ri das minhas mãos contorcidas no vidro: ‘parece até um acrobata’

não vou explodir. não vou explodir. não vou explodir.

 

 

 

                                           (Rica p.)

 

 

Eu fui o acrobata do banco de trás um dia

quando o tempo cortava o pára-brisa flácido da vida

vista pelo olho vazado do motorista.

Minha memória, em fatias, se perdeu

no tapete de borracha, que os teus pés surravam

enquanto você não olhava, a cada freada brusca.

O garoto do farol, lembra? Lambia com o canto da língua

a cicatriz do beijo que nunca soube se molhado ou seco,

mas belo e sereno o olho pendia para o lado, como que

narrando a historinha de criança boba que todos fomos.

O farol abria, o pescoço girava a cabeça no eixo lindo da espinha dentada

e a linha ganhava vida no papel do sonho, lembra?

Ah! Que saudade…

 

 

                                                                                 ( Cláudio Donato )

 

 

Resolvi postar estas duas versões, pois há um dado de amizade e parceira entre as partes. E para fazer diferente também. Outro rumo sempre que preciso. Conheci Rica P. (que é poeta, músico, letrista, multi-homem, homem-fluidos) e Cláudio Donato (mago da Stencil Art ) quando ainda trabalhava no Dragão do Mar. Convidei os dois para uma oficina combinando sprays e poesia. Uma maravilha. Os caras combinam profissionalismo, invenção (curtição) e delicadeza como ninguém. E eles estão sempre por perto. Somos parceiros agora. Eles são do coração.

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