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"Yo iba ser Homero" - Paulo Leminski - Antologia biligüe (Kriller71 Ediciones)

“Yo iba ser Homero” – Paulo Leminski – Antologia biligüe (Kriller71 Ediciones)

Coisas bacanas que eu recebo por aqui 3.

“Barato”, livro de poemas de Ricardo Pedrosa Alves.

Coisas bacanas que eu recebo por aqui 2.

“Brasa enganosa”, livro de poemas de Guilherme Gontijo Flores.

Acabei de receber o exemplar da antologia “Poesia (Im)Popular Brasileira”, organizada por Júlio Mendonça, com textos sobre Aldo Fortes (por Omar Khouri), Edgar Braga (por Reynaldo Damazio), Gregório de Matos (por Carlos Felipe Moisés), Joaquim Cardozo (por Manoel Ricardo de Lima), Max Martins (por Tarso de Melo), Omar Khouri (por Júlio Mendonça), Pagu (por Carolina Serra Azul), Qorpo-Santo (também por Júlio Mendonça), Sapateiro Silva (por Júlia Studart), Sebastião Nunes (por Fabrício Marques), Sousândrade (por Guilherme Gontijo Flores), Stela do Patrocínio (por Carlos Augusto Lima Memória E Projeto Produções) e Torquato Neto (Paulo Ferraz).
Daqui, muito feliz por participar desse projeto.

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ela está no meio de nós, e seu corpo fino, esguio como uma flecha, me atinge e, contorcido, me atiro no curto abismo do lado que é meu, ou era, ou tinha certeza de alguma certeza, neste colchão macio e parcelado em seis vezes com juros, com juras amorosas, de uma pequena eternidade. ela está no meio de nós, e seu cheiro esverdeado já não é o mesmo, o corpo é forte e os seios grandes comprimem meu braço empurrando para um lugar que era, ou tinha certeza, ser meu, herdade do corpo, que agora despenca num abismo frio e claro. seu cheiro já não é o mesmo, mas lhe farejamos num deserto longe, inconfundível, cães de guarda do seu corpo, do seu tempo. ela está no meio de nós, socando meus rins , o dorso do outro corpo carinhoso, como se empurrasse aos nossos abismos, o chão lá embaixo, quadrado e frio e branco, como se não nos quisesse, e a vontade de crescer com força, gáudio e flama. me empurra para longe, faz do corpo sua flecha e atira, mais longe. ela está no meio de nós e deixa um rastro de odor, saliva e muco. lago de urina demarcando território, tal cão de rua no colchão macio e meu, não tão meu, fatia agora pequena de mundo, um abandono, exílio sem cor, lá longe, longe. nada nos pertence: espaço, tempo, dela, crescendo quase em vertigem, cremes no cabelo e fones de ouvido. é preciso crescer. um dia ela não estará no meio de nós. e me envia cartas de onde nunca pude chegar, para afirmar aos seus: eu vim até onde ele nunca pôde chegar. e quando o mundo acabar, quando nada mais tiver de ser visto, ela estará no meio de nós, com seu corpo cansado de mundo e amor. sentará perto de nós. desaparecerá.

foto: Denise Mustafa

foto: Denise Mustafa

logo ali, bem antes de disparar um riso e ajustar os óculos de armação vermelha, avisa: nunca me imaginei com uma gabardina fúcsia e havaianas de oncinha em uma praia. eu digo por mim tudo bem. eu geralmente me divirto muito com suas histórias de safári, amigos transgêneros, aulas de tiro e babás criminosas citando o eclesiastes faca em punho. eu apoio tudo o que você faz. deve ser coisa  de astrologia, alguma lua atravessada bem na frente do meu mercúrio. silêncio. vamos quebrar o silêncio, então, com uma conversa como se fosse um primeiro encontro. eu me apresento primeiro: olá, meu nome é carlos, nasci num abril de 69 numa vila operária sem operários, uma vida comum, mas a crença de um futuro promissor. hoje sou bem-sucedido em quase tudo, passo férias em lipa noi, tailândia. meu último projeto diz respeito a publicar um livro para ajudar a explorar melhor o potencial das pessoas. meu lado humanista, sabe? enfático, quase trincando os dentes, quase socando o ar, quase molhando os dedos com o drink que escorre, muito gelo, as pontas dos dedos chamuscadas, olhos como um radar inquieto num trezentos e sessenta graus pelo jardim. e agora é você, seu lado da brincadeira. o que tem feito? por onde anda? cada detalhe precioso quando balança a cabeça, gargalha e entrega. voltei novamente a edimburgo. odeio o clima de edimburgo, mas adoro edimburgo. conheci “little sparta”, o mundo meticuloso de finlay. gosto de projetos. gosto do jeito que ele montou sua posteridade, mesmo que ninguém veja, que ninguém vá a lanarshire, mesmo que não se chegue ao mercadinho do bairro e não encontre café solúvel, tabletes de tempero ou víceras. come-se víceras em qualquer lugar do mundo, sabia? estou de volta, tudo está tão claro, agora. vamos pensar alguma coisa juntos. a minha fala, quem sabe, atravessa a sua com suavidade. mais dois drinks desses com muito gelo que deixa a ponta dos dedos chamuscadas e não se volta hoje para casa. mais duas luas atravessando mercúrio ou vênus ou libra ou qualquer um que rege. mais dois minutos e estamos bem.