o que se procura é uma banca de jornais aberta a esta hora da noite. me preocupo agora com o plano infalível de conquistar toda a região que compreende os bairros mais nobres e mais duvidosos desse lugar. nenhum lugar é igual. nenhum merece a visita da vendedora de cosméticos da multinacional americana. e por falar nisso, quero morar em san diego e não lembrar. e quero ter coisas descartáveis para vender num bazar, pois sempre gostei dessa idéia. de vizinhos servindo limonada gelada e uma falsa segurança conduzindo atiradores de plantão. mas nossos vizinhos falam alto e publicam intimidades no jornal e na televisão. a mãe estava infeliz e cometeu erro grave. o pai ficou com o carro de marca francesa. são vinte e duas e quarenta e cinco. ainda servem o caldo de peixe. outro dia bife acebolado. e tudo invade o apartamento com poção de enjôo antes de lembrar da moça com giletes nos dedos, palavras cruzadas e letras geminadas no nome. volto ao infalível disfarce e há tempo de calçar os chinelos antes da próxima chance de salvar o planeta. poderíamos morar juntos. quem sabe. as cortinas lavadas exalam um cheiro macio. o mundo está limpo e as malas prontas. a qualquer hora.
que lindo!!!!
quero tanto o não-disfarce. a qualquer hora.
às vezes é sempre bom manter nossa identidade secreta. beijos, clark kent.
Sensível poema. Não se ofenda ao saber que eu o li pensando que fosse do Heitor Ferraz. Tem uma certa delizadeza que é bem encontradiça nele. Abraços.
paulo, jamais me ofenderia. pelo contrário, é uma certeza boa de que estamos conversando de alguma forma. abraços enormes, c.a.
adorei!